26/08/2013
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Esportes coletivos e de contato podem ser praticados pelos idosos (Ouça)

Diário do Grande ABC

 

Uma das situações mais humilhantes da vida de uma pessoa é ser considerada “café com leite”. Isso é bem ruim quando se tem 6 anos de idade e quer jogar queimada com os primos mais velhos. Mas, a sensação de incapacidade pode piorar aos 60 anos, quando as regras de alguns esportes são alteradas para incentivar os idosos a praticá-los.

Na região, existem vários grupos de esportistas veteranos que não querem moleza, fazem questão de praticar os esportes dentro dos parâmetros que valem para todo mundo. “Para atrair os homens a praticar, é preciso oferecer esportes com os quais eles se identifiquem”, observa Sandra Rindeika, chefe da divisão de Educação e Desporto da Secretaria de Esportes de São Bernardo, responsável pelo Projeto Vitalidade, se referindo ao fato de que muitas das modalidades consideradas adequadas para idosos são mais populares com as mulheres como hidroginástica, dança e yoga. “Por isso, oferecemos algumas modalidades com esse apelo”, diz Sandra, que sente que a adesão aumenta ano a ano. 

“Há uma nova atitude na terceira idade. Eles querem ação, competição e também a alegria de fazer parte de um grupo. Vira e mexe eles estão indo viajar para competir em outras cidades. Fazem festas, tem um grupo superativo e até um site, o www.vitalidade.net onde publicam tudo o que fazem”, conta Sandra. 

DIGNIDADE

“Quem praticou um esporte ao longo da vida não aceita participar de competições em que as regras tenham sido suavizadas”, diz o professor de Educação Física, Miguel Guarinon, que até recentemente coordenava atividades do projeto Vitalidade, em São Bernardo. Ele deixou o cargo por conta da aposentadoria compulsória aos 70 anos. 

Voltado para quem está na meia-idade (de 40 a 59 anos) e na terceira idade (acima disso), o Vitalidade promove a prática de vários esportes e atividades como bocha, malha, xadrez e dominó. Destes, as modalidades esportivas são vôlei, natação e atletismo. “A ideia é promover a inclusão. Quem não está fisicamente apto para suar a camisa pode competir em outros jogos”, diz Guarinon. 

Valorizar a veia competitiva dos idosos faz parte do processo de motivá-los a praticar as atividades. Outra estratégia é fazer as tais adaptações que são bem aceitas por uns e consideradas ofensivas por outros. “São dois públicos. Há quem sempre foi militante da atividade e que hoje, mesmo sentindo que músculos e articulações não respondem com o mesmo vigor, querem continuar a praticar o esporte como sempre fizeram”, explica. 

“E há os que sempre desejaram praticar esportes, mas por razões de trabalho ou família, nunca tiveram a possibilidade. Para incentivá-los a realizar o seu desejo de começar, as regras foram suavizadas”, completa o professor que, na liderança dos atletas de São Bernardo, conquistou o tricampeonato dos Jogos Regionais do Idoso, evento promovido pelo governo do Estado. 

Nessa competição, por exemplo, nas provas de natação, até ano passado, os competidores entre 60 e 69 anos, tinham de largar do bloco de saída, fora d’água. Atualmente, eles podem começar de dentro da piscina, uma possibilidade que desagrada a muitos nadadores, que se sentem diminuídos. 

Guarinon chama a atenção para a existência de um grupo de garotas veteranas que continua a jogar basquete na Associação dos Funcionários Públicos de Santo André seguindo as normas olímpicas, sem refresco nem frescura. A despeito das diferentes visões sobre a questão das flexibilização dos manuais de cada esporte, um fato é indiscutível: a idade muda tudo. “A cabeça comanda, mas o corpo não atende”, diz Guarinon. Mas, com certeza, pode aprender coisas novas.

BORBOLETAS

Para mulheres com 60, 70, 80 anos, a prática de modalidades consideradas ‘agressivas’ e de alto impacto como boxe e muay thai pode parecer algo muito distante, quase ficcional. No entanto, um grupo com participantes nestas idades está “voando como borboletas e picando como abelhas” em Ribeirão Pires. 

“Elas fazem de tudo dos esportes, mas de uma forma moderada, dentro dos seus limites”, diz o professor de educação física Ailton Pessoa. “É fácil perceber que elas se entusiasmam com a atividade de contato. Isso motiva e mexe com a autoestima delas”, diz o mestre sobre suas meninas de ouro. Ele garante que nunca houve nenhuma contusão ou acidente. “Fazemos tudo na medida, para não machucar. A alunas dizem que, depois que começaram a treinar, melhoraram sua coordenação e equilíbrio e que os seus movimentos do dia a dia ficaram mais fáceis”, completa Pessoa, que chama atenção para o fato de que o ambiente da academia fez com elas passassem a cuidar com mais atenção da saúde e da alimentação. 

Realmente, ver uma senhora de 82 anos arrasando nos jabs, ganchos, diretos e cruzados, quebra todas as regras.  

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