25/10/2013
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Saiba como prevenir os problemas bucais mais comuns na terceira idade

Terra

A expectativa de vida nos países desenvolvidos e em desenvolvimento aumentou, as pessoas estão vivendo cada vez mais e, por conta disso, uma área da odontologia tem crescido também: a odontogeriatria, que cuida especificamente da saúde bucal da terceira idade.

O especialista em odontogeriatria Dr. Fernando Montenegro explica que a boca faz parte do corpo humano e que todos os sistemas são interdependentes. Se a pessoa tem um problema bucal, isso pode refletir em todo o organismo, por isso a saúde bucal é muito importante. "A inter-relação de problemas bucais com doenças cardiovasculares, com diabetes, com pneumonia aspirativa, com problemas estomacais é cada dia mais discutida na literatura científica e comprovada na prática clínica com pacientes mais velhos, ainda mais quando estes se encontram acamados ou em UTIs", explica ele.

Além da questão da saúde do organismo, tem também a relação com a autoestima. "Ter dentes em bom estado, ou então usar próteses adequadamente adaptadas, garante que a pessoa possa mastigar os alimentos com os melhores nutrientes, além de ter uma boa aparência, o que vai mantê-la na sociedade", diz ele.

Ele explica que a doença bucal mais comum na terceira idade é a periodontite, um problema de inflamação gengival que se agrava e leva à perda do osso de suporte dos dentes, deixando-os amolecidos. Mas é importante salientar que ela NÃO é característica do envelhecimento, e sim decorrente de um cuidado inadequado com os dentes por toda a vida, porque as pessoas não seguem adequadamente os cuidados preventivos, citados abaixo.

Outra afecção comum nos idosos são as cáries, especialmente as de raiz. "Nesses casos, o uso diário do flúor ajudaria e muito na prevenção, somado ainda à escovação e uso de fio dental", diz ele.

O mau hálito, ainda que tenha muitas outras origens extrabucais, está intimamente ligado à não limpeza da parte posterior da língua com limpadores de língua plásticos e a uma não limpeza cuidadosa das próteses, mesmo totais, que o idoso use, por isso a higiene se faz fundamental.

Mas todas as doenças acima e ainda a candidíase bucal são em muito aumentadas quando a pessoa tem uma diminuição do fluxo salivar (chamada xerostomia), que é causada pelo efeito colateral bucal de cerca de 60% dos remédios que o idoso ingere normalmente. Conhecida por "boca seca", além de aumentar as cáries, doença periodontal, saburra na língua e mau hálito, impede uma mastigação adequada dos alimentos, o que obriga a pessoa a mudar a consistência de sua dieta, que vai causar problemas digestivos. Ele explica: suas próteses totais superiores caem com facilidade e aí eliminam as fibras da dieta, prejudicando a absorção de bons nutrientes e prejudicando o trânsito estomacal, com aumento da constipação intestinal, um problema muito comum nos idosos com esta patologia. A pessoa perde a percepção de gosto dos alimentos e aí coloca mais açúcar e mais sal no que come, influenciando no controle da diabetes e da pressão arterial. Formam-se mais colônias de bactérias na boca, que, além de permitirem maior chance de contaminação pulmonar (e pneumonia), acabam, via gengivas inflamadas, entrando na corrente sanguínea e atingindo órgãos vitais como o coração e todo o sistema circulatório. Por isso, a xerostomia é a mais devastadora das doenças bucais, mas seu tratamento é multidisciplinar, pois exige mudança/diminuição nas medicações, que só podem ser receitadas pelos médicos.

"Além disso, ainda existem as interferências periodontais de uma diabetes mal controlada, uma hipertensão que dificulta certos trabalhos odontológicos, estados anêmicos gerais que ajudam a causar traumas nos tecidos bucais e depressões do sistema imunológico do idoso, que, somados à xerostomia, causam um aumento exagerado do número de bactérias na boca", diz ele.

Como se vê, não se pode separar saúde bucal da saúde geral do indivíduo, nem considerar que problemas sistêmicos (de todo o organismo da pessoa) não tenham repercussões bucais de média e alta significância.

E quais os meios preventivos para chegar à velhice com boa saúde bucal?

- Ir ao dentista a cada seis meses.

- Evitar alimentos que causem cárie.

- Usar corretamente a escova de dentes, a cada refeição.

- Usar o fio dental com muita calma e, principalmente, uma vez ao dia.

- No caso da pessoa usar próteses, visitar o dentista frequentemente para verificar se as próteses e os implantes estão funcionando bem, especialmente nas duas primeiras próteses, onde uma perda de adaptação nas bases acaba levando a uma reabsorção óssea que cada vez mais dificulta seu uso.

- Limpar a língua com um limpador de língua plástico.

- Não existem cremes dentais ou bochechos "milagrosos". Só existe o real remover de restos dos alimentos em cada canto de sua boca e dentes.

- Usar flúor.

"Vale salientar que tudo em relação à saúde bucal diz respeito à prevenção. Às vezes a pessoa opta por retardar um tratamento de canal ou periodontal, por exemplo, mas isso só faz com que a chance de perder aqueles dentes seja bem maior que antes", diz ele.

Dr. Fernando Luiz Brunetti Montenegro é Mestre e Doutor pela FOUSP, coordenador de cursos de especialização em Odontogeriatria na NAPINstituto e na ABO-SP. Responsável por Saúde Bucal da Casa de Velhinhos Ondina Lobo.

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