19/10/2013
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Cuidar da saúde na terceira idade é um desafio

Diário do Pará

Somente no último ano, 17 idosos que procuraram o Ministério do Público do Estado em busca de assistência médica gratuita não obtiveram resposta a tempo e faleceram aguardando leitos. A dura realidade da saúde não apenas na capital paraense, mas em muitas regiões brasileiras, demonstra outro agravante que os mais velhos precisam lidar: a falta de serviços públicos de qualidade. 

Para o promotor de defesa dos idosos e das pessoas com deficiência no Pará, Waldir Macieira, a situação não é consequência de má fé ou descaso direto, e sim, de falta de uma gestão eficiente. “Muitos problemas vão se acumulando de administrações passadas e não avançamos porque ficamos apenas ajustando os erros anteriores. Mas infelizmente as pessoas mais frágeis não podem esperar muito tempo. A saúde não pode esperar, tem que ser efetivada agora. Se o município não tem leitos suficientes, deve recorrer a instituições particulares e fazer o possível para garantir vida e sobrevivência. Enquanto não se resolver efetivamente isso e tivermos demanda teremos que judicializar algumas questões”, explica. 

A judicialização à qual Waldir se refere é a interposição de ações pelo Ministério Público, solicitando à Justiça que intime o Estado ou município a fornecer o serviço necessário aos idosos. Todos os pedidos são feitos em decorrência de denúncia de cidadãos que não conseguem o devido atendimento. 

E mesmo quem tem plano de saúde enfrenta dificuldades, principalmente no âmbito financeiro. Segundo a legislação nacional, os planos não podem reajustar os valores de suas mensalidades de acordo com a idade dos idosos. O problema é que, para compensar a diretriz, eles impõem um reajuste oneroso na véspera da pessoa completar 60 anos, continua o promotor. “Nesses casos, orientamos o cidadão que se sentir lesado a ajuizar ações na Vara do Consumidor requerendo um aumento menor. Como se trata de um direito individual, o correto é procurar o Procon (Diretoria de Proteção e Defesa do Consumidor) para que sejam refeitos os cálculos”, orienta. 

Prevenção

Com as dificuldades em assistência emergencial, muitas pessoas que entraram na terceira idade têm dado prioridade à prevenção. Buscando uma vida mais longa, saudável e agradável. 

O sol começa a esquentar e, às 8h, a pedida para aproximadamente 20 idosos, numa academia no bairro da Pedreira, em Belém, é cair na água. Depois de um breve alongamento, começa a aula. Sob o embalo de músicas agitadas, sucessos atuais, homens e mulheres seguem uma sequência de movimentos. Entre os exercício é possível dançar, conversar com o colega do lado e sorrir bastante. Um momento de cuidar do corpo, da mente e do coração. 

Elza Farias, já pratica hidroginástica há dois anos. Antes fazia pequenas caminhadas, mas por orientação do médico, que diagnosticou uma artrose. Mas ela trocou a calçada pela piscina. “Eu tomava muitos remédios para dor, antiflamatórios. Agora não preciso mais. Os benefícios são notórios”. Para isso, dona Elza frequenta as aulas todos os dias, de 2ª e 6ª feira. Além disso, ainda vai e volta de bicicleta até a academia. “Se não venho, sinto falta. Cheguei de viagem e no dia seguinte estava aqui de novo. Me faz um bem enorme. É minha atividade favorita. Esqueço dos problemas do dia a dia e saio com outro astral”, garante.

Próximo de Elza está um dos mais extrovertidos da turma. Abílio Araújo, 71, faz hidroginástica com a esposa há três meses, mas apesar do pouco tempo já se tornou o “assistente” da professora e incentiva os demais alunos sempre que eles se dispersam. “A gente tem que fazer com vontade, levar a sério”. 

Para Rose Matos, educadora física especialista em gerontologia e professora da turma há 12 anos, são esses relatos que lhe enchem de satisfação. “O segredo para manter todos motivados é está em trabalhar com prazer. O idoso precisa de carinho, atenção e respeito. Ele busca a vontade de continuar vivendo e é nosso papel dar mais qualidade de vida e motivação, ajudá-los a se socializar, terem ânimo para o dia a dia. É uma troca. Você se dedica e recebe o reconhecimento de volta. É gratificante e nos dá certeza da escolha profissional que fizemos”, ratifica. 

Ajuda extra

E para aqueles que não têm condições financeiras, físicas ou emocionais de construir sozinhos uma vida mais saudável, existem cidadãos do bem, que surgem para dar essa ajudinha extra. É o caso de Celso Levi Aguiar, pastor auxiliar de uma igreja evangélica, no bairro da Pedreira. Aos 66 anos ele mantém uma rotina considerada cheia por qualquer jovem, e se orgulha em dedicar por parte dela à sua maior missão: cuidar de quem precisa. 

“Tudo começou há oito anos, quando conheci pessoas que passavam por necessidade e decidi visitá-las periodicamente para ajudar e acompanhar a melhora delas. Hoje, montamos uma rede de doadores e voluntários para trabalhar a prevenção. Queremos manter esses idosos saudáveis, evitando doenças e debilidades”, explica. Para isso, Levi organiza cestas com alimentos, roupas, remédios e demais objetos que consegue arrecadar. Com o material em mãos ele sai pelas ruas conhecidas da vizinhança e inicia as visitas. 

“Todo início do mês as famílias e os idosos já nos esperam. Muitas vezes eles precisam de orientação, querem ajuda em tratamentos e fazemos o possível para auxiliar”, complementa. Exemplo de saúde e disposição, ele aproveita as conversas para mostrar aos colegas de faixa etária que viver bem não é difícil. Basta querer. “Acordo cedo e pratico esporte todos os dias, seja uma caminhada, seja na academia ao ar livre, perto de casa. Também cuido da minha esposa e filhos, mantendo a harmonia familiar. Acho que são hábitos simples, mas cuidadosos, que fazem a diferença”.

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