31/10/2013
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De olho na aposentadoria sem parar de trabalhar

O Dia

 

Pesquisa recente mostra que o trabalhador brasileiro pensa em se aposentar, mas não quer deixar de ter uma atividade remunerada, mesmo depois da concessão do benefício do INSS. O estudo ‘Futuro da aposentadoria: vida após o trabalho’, feito pelo banco HSBC, revela que 29% dos entrevistados já materializam a nova realidade que os especialistas chamam de semi-aposentadoria. Ou seja, o segurado continua no mercado de trabalho, apesar de ter completado as condições mínimas para se aposentar.

O conceito se concretiza quando a pessoa demonstra vontade de se manter ativa recebendo uma remuneração, mesmo já estando aposentada. Na pesquisa, os 29% que indicaram a tendência têm entre 55 e 64 anos de idade e já estão semi-aposentados. De acordo com o estudo, 50% das pessoas ouvidas possuem de 25 a 34 anos e pensam da mesma forma: não querem parar de trabalhar ao receber a aposentadoria.

Dados do Ministério da Previdência Social reforçam a tese da semi-aposentadoria. Conforme último levantamento da pasta, 703 mil aposentados do INSS em todo o país estavam em atividade, trabalhando com carteira assinada em fevereiro de 2012.

Superintendente do HSBC Brasil, Alfredo Lalia diz que o aumento da expectativa de vida do brasileiro e a vitalidade maior dos cidadãos se refletem neste novo cenário, no qual as pessoas não veem mais a aposentadoria total como a primeira opção depois de completar os requisitos para receber o benefício. “Assim, cada vez mais brasileiros já buscam nova ocupação para continuar na ativa”, diz.

A pesquisa do HSBC foi feita este ano em 15 países com 16 mil pessoas. No Brasil, os pesquisadores ouviram mil entrevistados. Segundo as respostas dadas, entre as principais motivações para a semi-aposentadoria seriam: “Eu gosto de trabalhar para continuar com alguma posição”; “Eu gostaria de continuar ativo/manter o cérebro alerta”; “Eu gostaria de ter uma transição fácil para a minha aposentadoria”.

Eles são principais responsáveis pelo sustento de filhos, pais e netos

Além de se manter em atividade, boa parte dos aposentados do INSS continua trabalhando para poder complementar a renda e sustentar a família. É o caso de Luiz Lira, 69 anos, que teve o benefício concedido em 1997. Desde então, ele exerce a mesma função em uma loja de tecidos na Tijuca, como vendedor.

“Ainda não tenho como parar de trabalhar. Me aposentei recebendo na época cinco salários mínimos e atualmente o valor chega a dois mínimos”, reclama.

A pesquisa do HSBC mostra ainda que mais da metade dos brasileiros entrevistados são responsáveis pelo sustento de pelo menos um dependente durante a sua aposentadoria. Dos que são estão semi-aposentados, 25% garantem a sobrevivência dos filhos, 7% dos netos e 12% dos seus pais.

O estudo revela ainda que ao comparar com as pessoas totalmente aposentadas, os números crescem: 33% dos entrevistados sustentam os filhos; 9% os netos e 18% pagam as contas para os seus pais.

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