11/02/2014
1 comentários

Aposentado que trabalha deve investir o benefício

Andréa Ciaffone (Diário do Grande ABC)

O fator previdenciário transformou o sonho de uma aposentadoria tranquila em um verdadeiro pesadelo em que cenas de miséria se alternam com as de privação. Não é para menos. Enquanto o salário médio de um homem que trabalha na indústria está em R$ 2.500 na região, a aposentadoria média recebida pelos moradores das sete cidades fica em R$ 1.400. Por isso, muita gente continua a trabalhar para manter o padrão de vida. Só que a maioria comete um erro de cálculo ao somar o valor da aposentadoria ao seu orçamento. 

“Na verdade, a coisa mais inteligente a fazer é aproveitar o ganho extra que o benefício representa e poupar para que, quando for efetivamente parar de trabalhar, o aposentado possa complementar sua renda”, diz o educador financeiro Reinaldo Domingos, que defende que a melhor maneira de garantir um fluxo de dinheiro confortável no fim da vida é planejar e poupar enquanto ainda se está na ativa.

Assim, considerando que a renda média para quem trabalha na indústria é de R$ 2.595 – segundo estudo divulgado pela USCS (Universidade Municipal de São Caetano), que leva em conta as sete cidades – e o valor médio das aposentadorias da região, que é de R$ 1.432, segundo dados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), e aplicando a fórmula desenvolvida pelos economistas e contadores da DSOP Educação Financeira, em praticamente 13 anos o aposentado conseguirá atingir o montante necessário para complementar sua renda e manter o mesmo padrão de vida dos tempos de atividade. 

“O aposentado que investir integralmente o benefício de R$ 1.432, considerando o acréscimo de 5% de juros a cada ano, terá após o prazo de 13 anos cerca de R$ 441 mil”, diz Domingos. 

“Quando chegar nesse ponto, ele terá rendimento mensal de R$ 2.212, mas só retirará da conta 50% do rendimento, ou seja, R$ 1.106,30 que somando aos R$ 1.432,00 de sua aposentadoria, dará os R$ 2.500 de renda mensal, mantendo seu padrão de vida”, calcula o educador financeiro.

“É importante ressaltar que ele só pode tirar 50%, caso ele tire na totalidade o seu rendimento mensal, ele vai desgastar o valor guardado e correr o risco de zerar a poupança em poucos anos”, recomenda Domingos. 

Trabalhar mais 13 anos pode parecer uma punição digna dos personagens bíblicos, mas não representa algo tão ruim quando se considera que a idade em que, em média, as pessoas se aposentam por tempo de contribuição (e sofrem o deságio do fator previdenciário) é de 54 anos, dá para imaginar que a pessoa ainda tem vigor para o trabalho. 

De acordo com o diretor de políticas sociais da Associação dos Aposentados e Pensionistas do Grande ABC, Luís Antônio Rodrigues, seja por necessidade ou por gosto, cerca de 50% dos aposentados da região continuam trabalhando depois de terem oficialmente ‘pendurado as chuteiras’, sendo que 30% continuam com registro em carteira. 

Seguindo o raciocínio baseado nas médias da região, o tempo de trabalho extra, somado à idade da aposentadoria, daria cerca de 67 anos, ou seja, dois a mais do que a aposentadoria por idade. Para quem se pergunta qual é a vantagem disso, os advogados especializados em Direito Previdenciário respondem que sim, vale a pena. A justificativa principal é que mesmo na aposentadoria por idade, há perdas em relação ao salário da ativa. A outra é que sempre há a possibilidade das regras da Previdência ficarem ainda mais duras conforme a expectativa de vida dos brasileiros aumenta. Portanto, o melhor é dar adeus às ilusões e se preparar. 

Avalie esta matéria:     0

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Olá Convidado
publicidade
Facebook
Twitter