06/06/2013
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O amor está no ar: dia dos namorados mostra que romance não tem idade

O Globo

 

O amor não tem idade. Nem o namoro. Por isso, Jaime Ramos, de 82 anos, e Philomena de Medeiros Vieira, 76, vivem um dos momentos mais românticos para os apaixonados. Sim, eles são um casal de namorados. E, como muitos outros, moram em casas separadas, passam os fins de semana juntos e passeiam bastante. O relacionamento começou há dois anos, na Universidade Aberta da Terceira Idade (UnAti/Uerj), e no próximo dia 12, eles pretendem comemorar, mais uma vez, o Dia dos Namorados.

Jaime e Philomena se conheceram em 2009, na oficina de dança de salão da UnAti. Ela estava viúva havia dois anos e passou a frequentar a instituição por recomendação de um amigo.

— Fui casada com um menino lindo por 50 anos. Quando ele se foi, fiquei deprimida. Um amigo indicou a UnAti e, realmente, foi muito bom para mim ter vindo para cá — conta Philomena, moradora de Tomás Coelho.

As trocas de olhares entre os dois nas aulas acabou chamando a atenção de Kátia Ceargnin, professora de dança de salão da UnAti/Uerj.

— Eu sabia que ia dar certo — lembra Kátia, que formou o par pensando no desempenho na aula. — Eles não se entendiam bem com os parceiros com os quais dançavam. Percebi que o conjunto ia ficar muito bonito se os dois dançassem juntos. Mas eu me considero a madrinha deles, sim — diz a professora.

Philomena diz que teve duas sortes na vida: o casamento duradouro, do qual nasceram dois filhos e três netos; e o atual namoro com Jaime. Viúvo duas vezes, ele retribui o carinho.

— Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar. No meu caso, caiu três. Posso dizer que tive três sorte na vida — diz Jaime, que mora com o único filho, solteiro, no Rio Comprido.

O casal se encontra durante a semana na UnAti e passa os fins de semana junto, quando Philomena costuma dormir na casa de Jaime. Teatro, shows e restaurantes são alguns dos programas preferidos dos dois, que gostam muito de passear. Há várias explicações para tanta disposição, e uma delas pode ser o simples fato de estarem curtindo o relacionamento. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG-RJ), Rodrigo Serafim, o namoro não pode ser considerado uma exclusividade dos jovens.

— O namoro não é uma prerrogativa da juventude. Na terceira idade, traz benefícios importantes como socialização e estímulo a um recomeço de sua vida. Segundo dados do IBGE, estima-se que 11% dos idosos vivam sozinhos no Brasil, o que traz um enorme peso às famílias. A presença de um companheiro serve de estímulo, evitando confinamento e depressão, e mantendo sua qualidade de vida. Estudos já mostraram que os idosos são mais afetivos em seus relacionamentos que os jovens — afirma.

Outro fator muito importante, segundo Serafim, é a atividade que ambos praticam. Além da dança de salão, Jaime faz outras cinco oficinas. Philomena também participa das aulas de dança holística, entre outras oferecidas na UnAti.

— A dança é familiar às pessoas e, principalmente, àqueles de gerações anteriores. Possui a grande vantagem de proporcionar um exercício físico e mental, porém, de uma forma mais prazerosa. Mesmo indivíduos com déficits cognitivos graves podem, pela música, ativar centros de memória ainda intactos, trazendo prazer e bem-estar. O fato de (Jaime e Philomena) terem se conhecido em uma oficina de dança confirma o poder de socialização que estas atividades conjuntas têm sobre os idosos, e daí, deverem ser estimuladas — afirma o médico.

Para Kátia, que trabalha há 32 anos com dança de salão, e há dois anos dá aulas na UnAti/Uerj, os resultados em alunos da terceira idade são muito positivos.

— Geralmente, as apessoas chegam meio tristes e desanimadas. Com o tempo, passam a cuidar mais do corpo, a se vestirem melhor e a terem conversas alegres — afirma.

Para as fotos que ilustram esta reportagem, Jaime e Philomena andaram por vários lugares na Uerj, entraram e saíram da oficina de dança, foram até o Boulevard Vinte e Oito de Setembro, em Vila Isabel. Tudo isso, com sorrisos, corpos esguios e palavras agradáveis. Não deixaram dúvidas quanto à jovialidade que têm.

— Somos ávidos por viver e desfrutar a vida. Meu neto diz assim: “Minha velha”; e eu digo: “Velha é a avó” — conta Philomena.

 
 
 
 
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