23/09/2013
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Idoso busca outra forma de viver a terceira idade

Diário do Nordeste

O número de idosos no Brasil deverá passar 14,9 milhões (7,4% do total) para 58,4 milhões (26,7% do total), em 2060. Os dados são de uma projeção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) baseada no Censo de 2010. Neste mesmo período, a expectativa média de vida do brasileiro deve aumentar dos atuais 75 anos para 81 anos.

Como serão os idosos que representarão um quarto da futura população brasileira? A imagem da vovó tricotando na cadeira de balanço ou do vovô jogando dama não entrou em extinção, mas está gradualmente se mesclando a outras maneiras de viver a chamada terceira idade.

A geração que hoje alcança os 60 anos chega a este ponto com mais saúde, consciência, independência e disposição. Para eles, a vida produtiva não se encerra com a aposentadoria. O novo estágio da vida é para descobertas, aventuras e liberdades - com mais maturidade, vivem uma nova adolescência.

"Eu costumo dizer que transbordo vida", diz a servidora pública aposentada Valdira Santos, de 62 anos recém-completos e comemorados em uma festa com as amigas em um clube de Fortaleza.

Ela conta que, após ficar viúva e completar os anos de contribuição com a previdência, tornou-se ociosa e quase depressiva. Foi quando conheceu o Programa Gente de Valor (PGV), desenvolvido desde 2001 pelo Instituto Municipal de Pesquisas, Administração e Recursos Humanos (Imparh) para servidores públicos aposentados e idosos da comunidade. Dentre as ações, estão o atendimento nas áreas sanitária, social e jurídica, além de atividades socioculturais, lúdicas e esportivas.

Há cinco anos participando do PGV, Valdira faz aulas de ginástica, dança de salão, informática e italiano. "Eu procuro me movimentar", garante a aposentada. "Sempre gostei de me divertir, então, sempre vou a festas, viagens", completa. Segundo ela, o exemplo da mãe de 92 anos e que há dez está presa a uma cama é um alerta para a necessidade de se manter ativa. Além dos cursos, Valdira ainda cuida de um dos netos enquanto a filha trabalha.

"Tenho Facebook e falo sempre com a minha irmã que mora em Brasília pelo Skype. Aprendi sozinha", afirma a aposentada Francisca Bezerra, 62. Para ocupar o tempo, ela não dispensou a rotina agitada: faz cursos de dança e computação, academia, viaja, promete que vai voltar para a ioga e ainda é voluntária em rodas de conversa e conscientização dentro do PGV, do qual participa há 13 anos - ou seja, desde antes de sua oficialização pela Prefeitura.

Ela garante que basta uma amiga telefonar e chamá-la para sair, não importa o lugar: larga tudo que estiver fazendo e vai aproveitar a vida. "Nunca pensei que fosse chegar esse dia em que ia ficar sem responsabilidades".

Como é natural pelo passar do tempo e da vida, muitos dos idosos do PGV chegam sozinhos. Viúvos ou separados, com filhos crescidos e de vidas encaminhadas: as histórias se repetem, mudando um detalhe ou outro. Por essa necessidade de companhia é que amizades se desenvolvem no convívio, dentro de atividades coletivas, como a dança de salão, os cursos de inclusão digital ou mesmo viagens.

Romance

O caso de Anézia e Edgard Menezes vai mais além. Em 2013, ela com 73 anos e ele com 78, comemoram com orgulho o primeiro ano de casados. "Nós começamos a namorar num passeio para a Serra de Meruoca", conta Edgard. Anézia, de braços dados com o "maridão", como ela mesma o chama, completa: "Tivemos até que anular um casamento religioso meu no tribunal de quando eu tinha 15 anos para conseguirmos nos casar".

Antes de se conhecerem, os dois já haviam perdido os respectivos companheiros anteriores de vida. Hoje em dia, fazem tudo juntos. Juntar as duas famílias? Não mesmo! "Sou eu para ele, ele para mim", afirma Anézia.

Semana comemorativa começa nesta segunda

De hoje até 1º de outubro, Dia Internacional do Idoso instituído em 1991 pela Organização das Nações Unidas (ONU), Fortaleza vive uma semana alusiva às pessoas desta faixa etária. Um dos objetivos é comemorar avanços nas políticas públicas, como a criação do Fundo Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa, a compra de 22 academias em praças públicas para a terceira idade, a serem implantadas entre outubro e novembro deste ano; além da estruturação do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa com profissionais adequados para o atendimento às denúncias de maus tratos, abuso e violência.

De acordo com o presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Idosa, Sérgio Gomes, a Cidade "vem há muito tempo com um débito grande com a pessoa idosa". Um exemplo claro é o número escasso de Instituições de Longa Permanência de Idosos (ILPI) em Fortaleza: o Lar Torres de Melo e outra pertencente ao Estado.

Investimento

Segundo o também coordenador especial de Idosos de Fortaleza, a gestão municipal anterior havia destinado anualmente cerca de R$ 500 mil para atender a esse setor. O Plano Plurianual do Município estabelece um aumento para quase R$ 3 milhões por ano, de forma a transformar Fortaleza em uma cidade amiga dos idosos, conforme estabelece a Organização Mundial de Saúde (OMS), com atuação em mobilidade, saúde, esporte, lazer e inclusão social. "Realizamos trabalho intersetorial com órgãos da Prefeitura para saber o que cada um pode oferecer".

Conforme Gomes, o maior problema do relacionamento da Cidade com seus 250 mil idosos era a ausência de políticas públicas. Para ele, as providências farão com que "a população acorde", já que, em sua opinião, uma das maiores dificuldades é a cultura de preconceito ao idoso. 

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