28/10/2013
Seja o primeiro a comentar

Se aposentar mais tarde pode ser a solução para o futuro

Diário do Grande ABC

Hoje, no Brasil, é possível se aposentar relativamente cedo. Em média, o brasileiro ‘pendura as chuteiras’ com 53 anos de idade. Mas, esse cenário deve mudar. De acordo com os especialistas, diante das mudanças no perfil demográfico brasileiro, a única forma de viabilizar o sistema previdenciário será retardar ao máximo a aposentadoria.

“O único grupo populacional que não vai parar de crescer no Brasil é o de idosos”, diz o economista-chefe da Allianz Seguros, Michael Heise. Considerado um dos mais proeminentes profissionais de sua área na Alemanha, Heise aconselha que o Brasil não deve perder tempo em se preparar para enfrentar essa mudança no perfil da sua população. Uma das formas recomendadas por ele para viabilizar a sustentabilidade do sistema da Previdência Social é que os trabalhadores fiquem mais tempo na ativa.

“Para minimizar os efeitos das mudanças demográficas é preciso aumentar a participação dos trabalhadores mais velhos no mercado. Para isso, é preciso mudar o ambiente laboral, oferecer programas de formação continuada e planos de carreira para os profissionais acima dos 50 anos”, diz Heise. “As empresas também terão de repensar processos e readaptar o local de trabalho para atender as necessidades de específicas destes empregados, como oferecer telas de computador maiores para facilitar a visualização”, completa o economista alemão, ao defender que as aposentadorias precoces devem ser desestimuladas ao máximo.

“Nos anos 1970 e 1980, o governo alemão incentivou os trabalhadores a saírem do mercado de trabalho com a visão errônea de que isso abriria espaço para os jovens. O resultado foi uma enorme pressão nos custos da Previdência até o ponto de quase inviabilizar o sistema. Agora, as regras foram modificadas e o trabalhador é estimulado a continuar trabalhando até 71 anos.”

PRESSA E PRESSÃO - No Brasil bastam 30 anos de contribuição para as mulheres e 35 para os homens para requerer o benefício junto ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social). Com isso, é possível estar com as ‘chuteiras penduradas’ antes mesmo de completar 50 anos de idade. O fator previdenciário pune os apressadinhos com descontos progressivos no valor da aposentadoria inversamente proporcionais à idade. Ou seja, quanto mais cedo se aposenta, menos o contribuinte recebe. Mas, mesmo assim, o desconto que encolhe em torno de 30% o benefício não parece assustar muito.

“A idade média para pedir aposentadoria no Brasil é de 52 anos para as mulheres e 54 para os homens”, diz o economista do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) Marcelo Caetano.

“Cedo ou tarde as regras para pedir aposentadoria terão de ser revistas. A pressão nas contas é grande, e só seria aliviada com mais produtividade, algo que está ligado à maior escolaridade e maior proficiência dos nossos estudantes, que hoje estão entre os piores do mundo, abaixo de México e Chile. E isso gera pressão porque faz com que menos gente esteja produzindo”, diz André Portela, economista da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Caetano e Portela defendem que a saída para o Brasil diante do envelhecimento da população é o aumento de produtividade, o que implica em pessoas trabalhando por mais anos da sua vida, maior investimento em escolaridade e infraestrutura e, ainda aumento da poupança.

Caetano destaca que a faixa da população entre 15 e 64 anos, que é a que produz riqueza, tende a diminuir conforme menos gente nasce. Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), nos anos 2000, a taxa de fecundidade brasileira era de 2,1 bebês por mulher. O que implicaria estabilização do crescimento da populacional.

Dados de 2010 mostram, entretanto, que esse número baixou no Brasil para 1,9 e, na região sudeste, para 1,7. É menos gente para trabalhar. Outra tendência é que estes bebês estudem por mais anos e retardem sua entrada no mercado de trabalho. Portanto, para garantir o cuidado com os mais velhos e produzir riqueza, muita gente terá de continuar no batente.

Avalie esta matéria:     0

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Olá Convidado
publicidade
Facebook
Twitter